Um casaco novo e brilhante para a melancolia de Dublin
Este álbum é para quem gosta do seu indie rock com uma pitada de ambição experimental e uma boa dose de evolução londrina. Entrega uma paisagem sonora rica e texturada que recompensa a escuta paciente, embora o afastamento do estilo mais cru dos primeiros tempos possa apanhar alguns puristas desprevenidos.
O que gostámos 👍
- Produção sonoramente aventureira de James Ford
- Prensagem de alta qualidade com som rico
- Inclui encarte com letras e arte gira
- Composição ambiciosa que empurra os limites da banda
O que podia ser melhor 👎
- Pode afastar fãs do material anterior
- Um LP único pode parecer um pouco sobrecarregado
- A mistura de géneros não agradará a todos
Mais polido do que um sapato engraxado em Dublin
Então, os Fontaines D.C. decidiram ir para o lado cinematográfico. Se esperavam outro Skinty Fia, preparem-se para o choque. A banda decidiu fazer as malas, atravessar a Europa e deixar o James Ford girar os botões. A ficha técnica diz que é o disco mais inventivo até à data e, por uma vez, o marketing não está a mentir descaradamente. Este é um disco que soa como se tivesse sido sonhado num terminal de aeroporto internacional, arrastando influências de Korn a OutKast para a mistura, o que é uma frase que nunca pensei escrever sobre esta banda.
Ao ouvir a prensagem em vinil, percebe-se a escala que estão a tentar alcançar. A produção é em camadas, densa e surpreendentemente exuberante em comparação com os esforços anteriores, mais claustrofóbicos. É o tipo de som que exige um gira-discos decente, não um leitor de mala barato que parece estar a lutar para respirar. Há uma sensação palpável de espaço aqui que soa genuinamente nova para o grupo, marcando a transição de heróis locais para candidatos globais ao art-rock.
A lista de faixas é um mapa vasto de onde os membros da banda se têm escondido. Grian Chatten continua a ser o mentor lírico, mas a sua entrega soa menos a um grito num bar cheio e mais a uma conspiração sussurrada num beco escuro. A interação entre as duas guitarras de Carlos O'Connell e Conor Curley evoluiu do chug pós-punk para algo muito mais atmosférico. É claro que passaram o tempo livre a ouvir tudo menos música de guitarra indie.
Os compradores não se cansam de mencionar a clareza da prensagem e, por uma vez, a internet tem razão. Há uma profundidade no baixo e uma nitidez na percussão que fazem o streaming digital parecer uma sugestão educada em vez do rugido pleno que este disco exige. Se procuram o grão, ele ainda está lá, mas enterrado sob uma camada de brilho de estúdio que faz tudo parecer ligeiramente mais caro e definitivamente mais perigoso.
No fim de contas, este disco é uma aposta. É o som de uma banda que se recusa a ser encurralada pelas expectativas dos críticos que os aclamaram como os salvadores do rock and roll. Quer achem que tiveram sucesso ou que apenas se perderam na busca de sons 'inventivos', têm de respeitar a audácia da mudança. Não é o disco que os críticos pediram, mas é exatamente o que a banda claramente queria fazer, e há uma certa integridade nisso.
Especificações, estética e a experiência em vinil
Falemos do hardware. Com 267 gramas, não é exatamente um lançamento pluma, embora seja um single normal. A XL Recordings fez um trabalho decente com a embalagem, que felizmente inclui as letras. Numa era em que metade dos discos novos chega numa capa frágil que se rasga se olharmos para ela com demasiada intensidade, ter texto legível para folhear enquanto se ouve é um luxo que, por mim, agradeço.
A paleta sonora aqui é tão diversa como as cidades onde os membros da banda viveram. A integração de influências de hip-hop e metal no seu som estabelecido é feita com um nível cirúrgico de precisão. Nunca parece um truque, o que normalmente é a morte de um álbum que 'mistura géneros'. Em vez disso, parece que estão a construir um mundo, faixa a faixa, onde esses estilos dispares podem coexistir sem colapsar num caos de ruídos confusos.
A estética física combina perfeitamente com o ambiente. É estranha, é artística e parece pertencer às mãos de alguém que passa demasiado tempo em salas escuras e cheias de fumo a contemplar o fim do mundo. É o tipo de produto que fica bem na prateleira, claro, mas que exige ser tocado. Se são fãs da banda, a inclusão da arte faz desta uma compra essencial só pelo fator colecionador.
O veredicto final: vale a rodagem?
Se são do tipo de fã que quer que eles fiquem presos à era de estreia, saltem este e comprem uma segunda cópia do primeiro disco. No entanto, se querem ouvir uma banda a recusar ativamente a estagnação e têm paciência para deixar um disco complexo e em camadas revelar os seus segredos ao longo de várias audições, comprem já. É uma adição ambiciosa, ousada e tecnicamente impressionante ao catálogo, que prova que os Fontaines D.C. não são apenas mais uma 'banda do momento', mas um grupo com um horizonte longo e imprevisível à frente.

